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Contos-->QUANDO O AMOR NÃO ACABA - Cap. XXXV -- 01/02/2018 - 09:23 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
QUANDO O AMOR NÃO ACABA - Capítulo XXXV

ÍNDICE DOS CAPÍTULOS
I - II - III - IV - V - VI - VII - VIII - IX - X - XI - XII - XIII - XIV - XV - XVI - XVII - XVIII - XIX - XX - XXI - XXII - XXIII - XXIV - XXV - XXVI - XXVII - XXVIII - XXIX - XXX - XXXI - XXXII - XXXIII - XXXIV

Talvez por ser o nosso último encontro, este, de alguma forma, tenha influenciado minha capacidade de percepção, levando-me a ver as coisas não como realmente eram, porém como num conto de fadas, onde paira um ar de magia, de coisas impossíveis. E claro que, muito provavelmente, Diana tenha contribuído, mesmo que não pelo surgimento, pelo menos para que esta sensação tenha sido tão forte e perdurado por tanto tempo. Digo isso porque foi como se eu, ao fixar-lhe meus olhos, caísse vítima de um encanto ou algo parecido, tal qual naquele primeiro encontro anos atrás, onde o amor desabrochou da forma mais bela e intensa.
Não posso afirmar que estivesse sob aquele mesmo encanto; aliás, afirmar tal coisa seria um erro. Não podemos experimentar a mesma sensação duas vezes. Sensações são únicas, como cada milésimo de segundo da nossa vida. E por mais parecidas que possam ser, elas serão outras e causarão reações diferentes, já que não são capazes de ativar as mesmas conexões nervosas. E mesmo que pudessem, ainda sim não teriam como ser iguais. Diana não me era mais uma estanha, um mundo desconhecido, cuja exploração é uma fonte inesgotável de possibilidades, um salto no escuro; pelo contrário, nos conhecíamos bem, até demais. De forma que as sensações e as experiências seriam outras, embora isso não nos impedisse de experimentar coisas tão intensas quanto àquelas experimentadas naquele noite gelada de julho de 77, para onde o acaso (ou o destino) me levou.
Eu vi aqueles olhos brilharem muitas vezes, algumas de forma tão intensa que jamais me esquecerei; mas quando a porta se abriu e então aqueles dois faróis miraram os meus, havia uma luz intensa, tão poderosa que, ao penetrar-me nos olhos, foi capaz de chegar as profundezas do meu ser e clarear-me a alma. Meio que estonteado, apenas lhe disse um “oi” e ofereci os meus lábios, os quais imediatamente sentiram os delas. Os braços de Diana mais que depressa me envolveram o pescoço e os meus lhe passaram pelos quadris, apertando-a e trazendo-a junto a mim. Ainda com nossos lábios colados, num beijo longo, apertei-a contra mim, como faz um casal apaixonado, separados por um longo período, cuja saudade é imensurável. Não era o meu caso, porém foi como se não algumas horas mas a eternidade separasse a noite anterior daquela.
Eu só fui lhe reparar na roupa quando finalmente conseguimos nos desvincilhar. Então meus olhos percorreram-lhe de cima a baixo, numa curiosidade dir-se-ia sem exageros. Não que a forma como se vestira não me interessasse, mas naquela noite isso não me parecia importante. Eu apenas queria aproveitar os últimos momentos como ela, estivesse ela como estivesse. Todavia, não pude deixar de manter na memória aqueles trajes.
Na verdade ela não vestida nada de especial, embora não deixasse de estar bela e bem trajada. É possível que tenha usado o que tivesse de melhor. Usava uma blusa marrom de botões, a qual se assemelhava com uma camisa, embora se tratasse de uma peça feminina e uma calça cujo tom mais escuro formava um conjunto harmônico com o resto do vestuário. Aliás, tratava-se de uma peça ajustada aos quadris e as pernas, a qual delineava e reforçava os contornos de seu corpo (um corpo magro, o qual remetia aos das modelos em capa de revistas embora não tivesse a beleza destes). Nos pés uma espécie de tênis preto dava o último toque àquela feliz combinação. Se por um lado a calça não era da mesma cor daquela usada no primeiro encontro em 77 (o amigo leitor há de se lembrar que naquela ocasião esta peça era branca), o tênis, embora não fosse o mesmo evidentemente, era branco. Aliás, havia até certa semelhança, demonstrando preferência por aquele estilo.
Por falar em semelhança, o mesmo acontecia com a calça. Não posso afirmar se tratar do mesmo material, mas, assim como acontecia com o tênis, esta remetia à outra, principalmente porque ambas (isso eu me lembro) eram bem justas.
-- Você está linda, gata! -- exclamei, escorregando-lhe os dedos pela face de forma carinhosa.
-- Deixa de ser bobo. Nunca fui muito bonita. Ainda mais agora, que já não sou uma mocinha e as rugas já começam a aparecer.
De fato ela já não tinha mais a jovialidade e o frescor da adolescência. Não só os anos haviam deixado sua marca, mas o cigarro também dera a sua contribuição (ela continuava a fumar).
-- Mas é verdade! Você está sim – insisti. -- Além do mais umas rugas não tira a beleza de uma mulher.
Diana nunca fora agraciada com a beleza física, embora esta seja algo muito subjetivo e defini-la é quase impossível. Mas existe um padrão, definido não se sabe como e por quais razões, o qual está profundamente enraizado na sociedade, padrão esse ao qual ela definitivamente não se encaixava. Talvez a cegueira à qual eu estava acometido levava-me a pintá-la com traços que ela realmente não possuía, o que não mudava em nada, pois ninguém naquele momento seria capaz de me convencer que ela não era bonita, de que os anos não foram condescendentes com ela e portanto não merecia tamanho apreço e dedicação.
Ela não insistiu. Apenas convidou-me para entrar, pois naquele horário (já passava de nove horas) era perigoso ficar ali do lado de fora. Concordei. Entramos e ela trancou a porta.
Às sós naquele pequeno espaço, não houve como resistir ao desejo de cairmos um nos braços do outro. Não sei quantas vezes nos beijamos, longos e eternos beijos; beijos demorados e intermináveis. Na primeira meia hora, quase não trocamos palavras; apenas carícias e sensações. Não só através dos lábios como também com o uso da língua, a qual sabe como nunca despertar sensações. Ora era a dela que me invadia a boca e buscava a minha, ora era a minha a invadir-lhe a dela. Para tornar tais sensações mais intensas, fazíamos uso das mãos, as quais percorriam nossos corpos, evitando as partes pudicas evidentemente, não só em busca das mais intensas sensações para provocar prazer no noutro, mas com o intuito de explorá-lo. Na verdade, o beijo fica bem mais interessante quando as mãos agem. É como se elas tivessem o poder de aumentar a intensidade do beijo. Muitas partes já tinham sido exploradas antes, mas isso não impediram minhas mãos de explorá-las novamente, em busca de novos deleites. Aliás, explorávamos vez ou outra, mais eu do que Diana, principalmente o rosto e o pescoço, não só com os dedos, mas também com os lábios e a língua. Ah, amigo leitor! Jamais minha boca explorou aquele corpo como naquela noite! E de uma forma que eu jamais tinha feito com ela. Ainda sim me arrependo profundamente de não ter sido mais ousado e persuasivo. Talvez as coisas teriam sido diferentes.
Eu não sei exatamente acerca do que conversamo nas três horas seguintes. Muita coisa se perdeu, talvez porque não se tratasse de nada significativo, nada que tenha contribuído para mudar o rumo de nossas vidas, já que era preciso muito mais do que simples promessas e palavras jogadas ao vento. No entanto, lembro-me de quão interessada Diana estava no meu relacionamento com Luciana. Era como se precisasse de algum tipo de esclarecimento para não só entendê-lo como também para se dar conta do abismo a nos separar. Talvez até procurasse encontrar uma razão para continuar tendo esperança, já que a esperança é um dos motivos que nos leva, na mais das vezes, a agarrar-se a vida, a manter uma lâmina de chama quando esta insiste em se apagar. Eu não atinei naquele momento e isso só me veio a ocorrer anos mais tarde; contudo, não tenho dúvidas de que ela me questionou daquela forma com a intenção de saber o quão sério era meu relacionamento com a outra. Talvez se encontrasse (embora eu não tenha certeza) alguma fragilidade no meu namoro com Luciana ela se sentisse em condições de lutar por mim e de não entrar naquela disputa às cegas; por outro lado, se visse que eu amava minha namorada (embora eu tenha lhe dito o contrário o tempo todo) acabaria por desistir de mim de uma vez por todas, pois a luta contra o amor é uma luta em vão, mais até que aquela travada pelo infeliz Dom Quixote contra os moinhos de vento.
Na medida do possível eu fui sincero; até porque realmente não amava mais Luciana como no começo (aliás, nem sei se ainda havia um que de amor por ela; talvez só respeito e consideração). Não lhe escondi isso. Por outro lado, disse-lhe estar disposto a terminar tudo com minha namorada para voltar à Juiz de Fora e assumir nosso relacionamento, o que Diana, rindo, disse:
-- Não me iluda!
-- Eu não estou te iludindo – repliquei imediatamente. Naquele momento eu não tinha a intenção de iludi-la, pois acreditava do fundo da alma ser capaz e de seguir meu coração.
-- Claro que está. Você nunca terá coragem de se separar dela, assim como não teve de pôr um ponto final no nosso relacionamento. Você é um cara super legai, mas… -- não terminou. Deixou a frase incompleta, embora não me seja difícil deduzir o que ela pretendia dizer.
Após um breve silêncio, constrangido, disse que faria diferente.
Ela não retrucou, talvez para não me magoar e estragar aquele momento tão especial; apenas o ignorou como se aquelas palavras não tivessem sido ditas.
Outro assunto que nos tomou um bom tempo, talvez cerca de uma hora, foi o futuro. Fizemos muitos planos. Não sei se realmente Diana estava levando toda aquela conversa a sério ou se estava apenas deixando a coisa correr, para não respingar uma mancha de tinta preta naqueles momentos. Talvez todos aqueles planos, aquelas promessas a deixassem feliz (aliás, como também me deixava) e por isso entrou na brincadeira, mesmo sabendo que, no fundo, tudo aquilo não sairia daquelas quatro paredes: morreria enclausurada ali como um feto no útero da mãe.
Fiz-lhe muitas promessas. Não só de terminar com Luciana, quando voltasse, como também de retornar em definitivo o mais breve possível a Juiz de Fora para ficar com ela. Contei-lhe acerca da minha vontade de vir morar com minha avó e de continuar meus estudos ali, na cidade natal. Ela me questionou mais de uma vez o quanto isso seria difícil para mim, já que teria de deixar meus pais. Insisti na tese de que muitos filhos deixam seus pais para estudar e trabalhar fora, inclusive em outro país. Portanto isso não seria nada de extraordinário. Aliás, afirmei:
-- Para mim é até mais fácil. Não estou indo para uma outra cidade, para um lugar estranho. Estou voltando pra minha casa, para a cidade onde nasci e vivi boa parte da minha vida. Minha avó mora aqui, alguns dos meus tios também. Eles também são minha família.
Ela concordou de início, porém logo depois afirmou:
-- Parece simples, mas não é. Você vai ver. Espere só você chegar lá.
De fato não era, mas era o que eu mais queria naquele momento. Por que voltar? Como chegar no trabalho e ver que Fabiana não estava mais lá por minha causa? Eu não suportaria aquele lugar, menos ainda a lembrança de que fora eu, mesmo que indiretamente, o responsável por sua morte. Talvez eu viesse a me sentir como Raskolnikov e, não suportando a culpa, acabasse por confessar meu crime. Talvez eu até suportasse a volta para casa, mas não para aquele escritório. Permanecer ali seria o meu fim. Mas eu seria capaz de fazer alguma coisa para evitá-lo. Essa era a questão. Talvez por isso eu lhe tenha insistido com tanta convicção:
-- Não, não vai mudar.
-- Você vai esquecer tudo isso e continuar com a sua vidinha – afirmou, um tanto entristecida. Diana parecia não acreditar na minha capacidade de tomar uma resolução. Dir-se-ia conhecer-me melhor do que eu próprio me conhecia. Não a condeno. No fundo, ela estava certa. Por mais que eu tentasse negar. Aquele clima, aquele momento mágico nos braços dela na portaria daquele prédio em plena a madrugada, não me permitia ver o quanto infundadas e absurdas eram tais promessas. Não que fossem de todo infundadas. A questão não eram as promessas, mas quem as fazia. Um homem resoluto, que traz o próprio destino em suas mãos, as tomaria sem dificuldade e sem muitas consequências, mas não alguém como eu. Alguns traçam seu destino e o persegue, outros deixam que o destino o arraste ao acaso, como folhas ao vento. Não é preciso dizer em qual categoria eu me encaixe; está mais do que óbvio..
Aquelas palavras porém não afetou o romantismo daqueles momentos. Pelo contrário, ao deixarmos esse assunto de lado (seria uma tremenda perda de tempo continuar insistindo) e voltarmos a falar apenas do agora, daquilo que estávamos vivendo, o grau de intimidade se fez maior.
Eu não sei direito quando foi, mas houve um momento (lembro-me apenas de que passava das três da madrugada, pois tinha consultado o relógio pouco antes) em que o silêncio nos abateu. Apenas olhávamos um para o outro e trocávamos carícias e beijos. Diana estava meio que deitada na escada e eu sentado ao seu lado, com o dorso tombado sobre o seu, embora sem estar apoiado nele, sem deixar o meu peso sobre si. Súbito, levei-lhe a mão por baixo da blusa (já tinha feito isso mais cedo, mas parado a pedido dela). Dessa vez contudo levei-a até um dos seios. Após acariciá-lo, desabotoei-lhe todos os botões, deixando-os descobertos.
Não fiz isso de uma vez. Foi de forma lenta, procurando saber até aonde ela me deixaria ir. Como não me impediu, fui até o fim. E só não a pedi para tirar a blusa por temer que fôssemos surpreendido por algum morar chegando ou saindo em plena madrugada, pois meu desejo era deixá-la sem a blusa, numa da cintura para cima.
Num primeiro momento, minhas mãos deslisaram por eles, apalpando-os ou simplesmente tocando-os de leve, para excitá-la e provocar-lhe prazer. Às vezes, segurava-lhe o mamilo e então o espremia entre os dedos, o que lhe provocava suspiros de prazer. Isso durou alguns minutos. Não resisti e, num segundo momento, meus lábios se encarregaram dessa função.
Ah, que prazer! Ter ora um, ora o outro seio nos meus lábios. Queria devorá-los como um animal selvagem e faminto. Queria morder-lhe aqueles mamilos e arrancá-los com os dentes, não para machucá-la, mas para dar-lhe prazer. Pois, como um homem experiente (embora eu não tivesse muita experiência com as mulheres, havia aprendido muita coisa), um homem que sabe levar uma mulher ao ápice do deleite, eu procurava provocar-lhe as mais intensas sensações. Se realmente só o agora nos importava naquele momento, então que o vivêssemos o mais intensamente possível, levando as sensações ao extremo, mesmo que eu também acabasse vítima delas. Aliás, nem poderia ser diferente: um homem quando procura levar uma mulher ao suprassumo do prazer quer, no fundo, acompanhá-la e alcançar este mesmo ponto elevado. Para valer a pena o prazer nunca deve ser uma subida solitária, mais uma caminhada a dois; de preferência, lenta e com pequenos intervalos.
E tenho de admitir: eu estava excitadíssimo. Meu falo se agitava por baixo das vestes feito um animal selvagem pego numa armadilha que tenta de todas as formas escapar. Embora estivesse bastante escuro e mal enxergássemos um ao outro, ainda sim esse exitamento não lhe escapou. Nem mesmo o estado de absorção em que se encontrava, o qual a parecia atordoá-la, a impediu de notar.
-- Ele está muito nervoso – deixou escapar em dado momento, quando meus dentes procurava mordiscar-lhe um dos mamilos. Súbito, senti-lhe a mão agarrá-lo por sobre a calça. Apenas soltei um grunhido, deixando escapar o deleite. -- Posso pegar nele?
-- Pode – respondi num átimo, sem refletir nas reais intenções dela. Aliás, a resposta foi tão rápida e espontânea que não houve tempo de pensar em nada; apenas escapou-me. Não me ocorreu que, se já o segurava sobre o pano, por que a necessidade do pedido. Talvez ela apenas se antecipara, sabendo do meu consentimento.
Então compreendi o pedido.
Súbito, a mão abriu-me o zíper. E ao me dar conta do que ela estava por fazer, não pude furtar de pensar na possibilidade de fazermos amor. Era um desejo antigo, que se tornava mais forte a cada encontro, mas, por respeitá-la e não querer dar a impressão de vir atrás dela em busca de sexo, nunca lhe sugerira tal coisa. Talvez estivesse ali a tão sonhada oportunidade; talvez, temendo me perder para sempre, tenha decidido se entregar e ficar, pelo menos, com a lembrança do meu corpo no dela. “Ah quem sabe ela tira ele pra fora! Vai acariciá-lo. Está enfiando a mão, vai pegar ele. Se ela tirar, vai olhar pra ele, vai desejá-lo. Deve estar excitada. Toda molhadinha. Por isso criou coragem. Pegou. Tá apertando, sentindo ele. Se ela não tirar, vou falar pra ela tirar. Quero que ela olhe pra ele. Vai ficar com mais vontade de tê-lo...”, pensei naqueles instantes. Não posso afirmar que foram exatamente estas palavras; talvez a memória esteja a me trair, mas não creio ter sido algo tão diferente disso.
Aguardei ansiosamente que ela o puxasse para fora. Mas em vez disso, apenas deslisou-lhe a mão, possivelmente para senti-lo, para ter uma noção de como era, e então a retirou dizendo:
-- Tá melado! Se mexendo. Todo assanhado.
-- O que você queria? Não sou de ferro – respondi, um pouco desapontado por Diana não ter ido adiante, alcançado minhas expectativas.
Mas não desisti. Estava disposto a fazer mais uma tentativa. O momento era propício para uma maior intimidade. Eu podia ver-lhe nos olhos o arder do desejo e nos lábios os traços da sensualidade. Tudo nela parecia ser um convite a união de nossos corpos.
-- Também tenho direito.
-- Direito? -- exclamou ela surpresa.
-- É. Você não pegou nele? Então? Quero pôr a mão nela? Senti-la.
Diana titubeou por alguns instantes. Vi uma mudança no brilho dos seus olhos, como se o meu pedido a constrangesse ou algo parecido. No entanto, após um breve silêncio, aqueles lábios voltaram a sorrir e ela assentiu.
-- Mas só um pouquinho, hein!
Então abri-lhe o cinto e desabotoei-lhe a calça de forma afobada, como se temesse um arrependimento por parte dela. Por último, puxei o zíper para baixo com as mãos trêmulas de impaciência e desejo.
Nunca em todos esses anos ela estivera tão próxima de ser minha, de se entregar. Tudo parecia a meu favor. Por isso eu acreditava que finalmente chegara a hora. “Quando ela sentir o meu dedo lá, acariciando o clitóris, não vai resistir. Vai me querer nela. Nossa! ela tá com a respiração acelerada. A barriga está mexendo rápido”. Nisso minha mão escorregou lentamente por dentro da calcinha. “Apertada. Hum. Os pelos: estou sentindo eles. Curtos. Dá pra notar. Ela cortou. Será que foi pra mim. Ou sempre corta. A maioria corta. Por causa da menstruação. Fica ruim pra limpar. Acho. Quase lá. Tá geladinho. Ela tá molhada. Mais do que eu…” Meus dedos tateavam-lhe aquela área peluda em busca da abertura bem no meio da parte macia. Sabia estar bela ali, bem no meio. Súbito, a encontrei. “Os lábios. Aqui. O talho. É só descer mais um pouquinho. Apertar o dedo. Ele escorrega no meio. Aí é só encontrar o pontinho. Não é difícil. Mais alto. Um caroço. Ela vai gemer na hora. Prazer. Vai sentir muito...”. E de fato encontrei-lhe o hímen, ao mergulhar o dedo naquela vulva escorregadia e úmida, tão úmida que não tive dúvida de que desde mais cedo aquele líquido fluía. Pressionei-o levemente e cheguei a fazer um movimento com o dedo para frente e para trás. É assim que se deve fazer para fazê-lo sair do casulo. Embora tenha muitas semelhanças como o falo masculino, ele não cresce por si só; precisa se acariciado e estimulado. E era isto que eu pretendia fazer. Mas então ela exclamou:
-- Chega! Você já foi longe demais.
Não insisti; apenas obedeci, de forma cavaleiresca. E por que não insisti? Por um erro de cálculo: imaginei que teria outra oportunidade, que o excitamento só se faria maior e ela não recusaria quando eu voltasse a lhe pedir para tornar a acariciá-la. Só que esta oportunidade não veio. Porque, quando mais tarde, lá pelas quatro e tanta da manhã, insisti em lhe tocar novamente a vulva, ela disse que só quando eu voltasse para Juiz de Fora, par ficar com ela. E talvez para não dar a impressão de que fazia um jogo sujo, acrescentou:
-- Já está quase de manhã. Tá na hora do morador do outro apartamento descer. Ele sai de madrugada, para trabalhar em Três Rios.
Não a contestei. Era ela quem morava ali, portanto sabia melhor do que eu quando os vizinhos saiam para trabalhar. No entanto, lamentei profundamente a oportunidade perdida. No fundo eu sabia que talvez não houvesse outra. “Que merda! Era só ter empurrado a cueca e tirado ele pra fora. Ela não ia resistir. Aí era só abaixar a calça dela e fazermos amor. Deitados aqui na escada mesmo. Ou de pé na parede. Por que não insisti mais? Ela teria deixado. Tava com vontade. Muita. Sei que estava. Talvez só estivesse me esperando sugerir. Pra não parecer oferecida. Mesmo que ela recusasse na primeira vez, era só ter insistido. Idiota! Deixei mais uma vez a oportunidade escapar. Sempre deixando...”.
De fato ela estava certa. Não demorou dez minutos e ouvimos barulho na porta. Levantamos num átimo e recompomos. Meu zíper ainda estava aberto e ela não havia abotoado a sua calça. E quando o morador, um homem de cerca de 45 anos, deparou com a gente, agíamos como se fôssemos dois amigos jogando conversa fora. Nós o cumprimentamos com um bom dia.
Não tive coragem de encará-lo, embora não pude deixar de olhá-lo rapidamente. Por isso não sei se ele achou estranho encontrar-nos ali naquele horário. Tenho comigo que não lhe foi difícil deduzir que Diana e eu passamos a noite ali. E, conhecendo a mente masculina como conheço, posso afirmar que, injustamente, tenha deduzido que transamos durante toda a noite; até porque seria o mais natural. Qualquer outro rapaz no meu lugar teria facilmente a convencido a transar. Mas eu não era “qualquer rapaz”; eu era um idiota. Talvez mais até que o príncipe Michikin, tão bem retratado por Dostoiévski.
-- Preciso subir. Já está de manhã. Vão acordar daqui a pouco e não quero que eles me vejam chegando a essa hora – declarou Diana, assim que o morador ganhou a rua, deixando-nos às sós novamente.
-- Também preciso voltar. Se a vovó não me achar em casa, vai ficar preocupada – afirmei, estendendo-lhe a mão e puxando-a para junto de mim. Abracei-a fortemente e nossos lábios se uniram mais uma vez.
Foi uma despedida difícil, regada a muitas lágrimas; talvez a mais difícil de todas até então. Diana quis saber a hora em que o ônibus sairia. Quando lhe disse, declarou:
-- Vou ver pegar ele. Quero te dar um último adeus.
-- Vou chegar um pouco antes. A gente se encontra lá – acrescentei.
Então demos um último beijo. Saí pela porta e, a passos lentos, fui tomar um táxi. Nunca, em toda a minha vida, me doeu tanto sair por uma porta. Foi como se eu realmente estivesse deixando para trás todos os meus sonhos e esperanças, para encarar na prisão uma longa pena, a qual me negaria para sempre a oportunidade de um novo reencontro. Pode parecer um exagero, mas era assim que eu sentia. Talvez porque, sabendo que não cumpriria com a minha promessa, não teria outra chance de estar com ela, até porque, ao ver que eu mais uma vez mentira, não ia mais querer me ver, menos ainda ficar comigo.


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